Ensaio sobre Cosmogonia e a Abóboda Celeste no REAC no Grau de Aprendiz Maçom
- Claudio Alvim Zanini Pinter

- 17 de dez. de 2025
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Ensaio sobre Cosmogonia e a Abóboda Celeste no REAC no Grau de Aprendiz
Claudio Alvim Zanini Pinter
Ao efetuarmos uma pequena reflexão da origem da palavra cosmogonia, constatamos que esta nada mais é que a origem da formação do mundo: radical latim (cosmo) ou grego (kosmo), origem da formação do mundo.
O primeiro, limitado nas coisas tangíveis enquanto que o segundo ultrapassa a questão material, contemplando as coisas invisíveis, imateriais ou inefáveis.
A poeira cósmica: dá não existência para a existência, do não ser para o Ser. Aí estou eu, você, enfim todos nós.
Enquanto que o radical grego gonia, significa geração, nascimento ou origem.
Lembro-me de que quando eu era criança, na minha casa havia algumas frestas em que o raio do sol penetrava, passando a luz e o ar. E assim era visível aquela poeira cósmica em movimento...
Nem poderia imaginar que esta poeira cósmica contém todo o DNA do universo, contém todos os embriões de tudo que existe, existiu ou existirá no universo. De todas as coisas visíveis e invisíveis, do uno, da mônada, do divisível e do indivisível e da matéria e da antimatéria.
Referendando a Bíblia Sagrada, registra em Gênesis, capítulo 3, versículo 19, “Você é pó, e do pó voltarás”.
Segundo o professor Henrique José de Souza “um verdadeiro Iniciado nos Grandes Mistérios da vida, “não interpreta as coisas através da letra que mata e, sim, do Espírito que vivifica”.
Num primeiro momento, o sentido do “pó” nos torna insignificante, pó, poeira, vazio, nada, mas é deste “pó” que a verdadeira ciência iniciática busca no triple da ESCOLA, TEATRO e TEMPLO, a TRANFORMAÇÃO, SUPERAÇÃO e METÁSTASE dos seus postulantes. O neófito na maçonaria adentra pela primeira vez no Templo Maçônico durante o ritual de iniciação e entre vários símbolos e alegorias depara-se com a Abóboda Celeste.
Para Aslan (1996) a abóboda celeste é o espaço infinito em que movem todos os corpos celestes, também denominado de céu ou abóboda estrelada. É o emblema da universalidade que contempla no teto das Lojas Simbólicas. Alan (1996) afirma que “o teto do Templo Maçônico, em forma de abóboda, representa o céu à noite, com uma multidão de estrelas visíveis, constelações , o Sol, a Lua e os planetas”. O céu estrelado é um espetáculo que está disponível para todos os homens, independente de raça, cor, credo ou condição social.
O Maçom pode contemplar essa maravilha inefável que é o Universo e sentir no seu âmago toda sua grandeza e plenitude. O mundo está sempre em movimento. Por isso, o iniciado não pode acomodar-se, uma vez que o mesmo faz parte do universo e precisa estar em constante crescimento e aperfeiçoamento pessoal e profissional. Ao lapidar-se enfrenta o maior inimigo que é ele próprio, pois precisa vencer as mazelas do ciclo atual e livrar-se dos demônios do meio dia, através do estudo, da reflexão, da prática das virtudes.
Afinal, o que representa o teto de um Templo Maçônico? A abóboda celeste não é exclusividade da Maçonaria. As igrejas e Templos antigos já possuíam abóbodas celestes com pinturas e para simbolizar o infinito. Já para a Maçonaria, de acordo com Aslan (1996) o teto de um Templo Maçônico representa:
O firmamento. Do lado do Oriente, um pouco à do Trono
do Venerável, o Sol, por cima do Altar do 1º Vigilante a Lua,
e sobre o do 2º Vigilante, uma estrela de cinco pontas. No
centro do teto, três estrelas das constelações Orion. Entre
elas e o Noroeste ficam as Plêiades, as Híades e Aldebaran;
a meio caminho entre o Orion e o Nordeste. Arturus (em
vermelho); a Leste, a Spica, da Virgem; a Oeste, Antares, ao
Sul Formalhaut. No Oriente Júpiter, no Ocidente, Vênus;
Mercúrio, junto ao Sol, e Saturno, com seus satélites,
próximos a Orion. As estrelas principais são três da Orion, 5
das Híades e 7 das Plêiades e da Ursa Maior. As estrelas
chamadas reais são: Aldebaran, Arturus, Régulus, Antares e
Foirmalhaut”.
Dito isso, pergunta-se qual a dimensão de uma Loja? “Seu comprimento é do Oriente ao Ocidente. Sua largura do Norte ao Sul – Sua profundidade da Superfície ao Centro da Terra – Sua altura da Terra ao Céu. Tal questionário compreende uma fração de conhecimento que o maçom deve saber. O Aprendiz Maçom irá perceber o por quê dessa dimensão. Por que a maçonaria é Universal.
Adaptando-se na obra o Poder do Agora, de Eckhart Tolle, qual a essência do SER? Não são os órgãos (coração, pulmão, intestino, fígado, rins,...) que constituem o SER, portanto não é o SER. Estes órgãos sozinhos não são nada.... Mas o conjunto integrado destes “nadas” representam o Todo, aí está o SER. Quando acrescido do “sopro divino” aí está a essência do SER.
Embora não visível a maioria dos indivíduos, o espírito se confunde com o espaço e no tempo que são as mesmas coisas. Não vimos, não tocamos, mas não perdem sua real significância.
Na correria do dia a dia, esquecemos de dar valor as pequenas coisas, porque para uns não representam nada: um sorriso, um abraço, muito obrigado, um beijo, eu te amo, bom dia, boa tarde, boa noite, como vai você? Mas ao mesmo tempo para outros significam muito, são energias. Energia é vida, vida consciência, vida contemplativa.
Estamos todos ligados... ninguém está solto no universo... somos totalmente ligados pelo cordão umbilical, embora cortados fisicamente ao nascermos, continuamos ligados pelos átomos indivisíveis do nosso Grande Arquiteto do Universo. Ao desabrocharmos, nossa consciência para a sexta e sétima em formação, vamos viver o novo, o bom e o belo em toda a sua essência.
O fato de estarmos todos ligados e que um movimento brusco interfere em tudo que existe no universo, as mazelas do ciclo atual, tendo a desaparecer, tais como: o ódio, a inveja, a ira, a vingança, os vícios, ... Está muito claro, quando o professor Henrique José de Souza afirma: “não vamos mais dizer, tive uma ideia, porque a ideia está permanentemente no homem”.
E é para este estágio evolucional que caminhamos... nosso êxito desta trajetória, depende da descoberta do Deus interior a qual devemos marcar este encontro a cada momento de nossa existência, através de nossos atos, ações e pensamentos, daí o conselho do professor “da vigilância dos sentidos”.
A caminhada está cheia de obstáculos, criados por nós próprios por dar valor demasiado ao olhar externo do outro, em detrimento do Deus interno que só se manifesta quando o discípulo está preparado para recebê-lo. Um dos maiores erros que o maçom comete quanto ele tenta lapidar o outro. E esquece que o maior trabalho, trabalho hercúleo é lapidar-se a si próprio.
Meus amados irmãos, desta poeira cósmica ou kósmica aqui estamos.. e para lá retornaremos... porém os átomos carregados de experiências, como se fôssemos mini deuses, neste universo imenso, com a única missão: a busca da perfeição!.
Na Maçonaria Simbólica recebemos os instrumentos de trabalho de acordo com o Grau. Tais instrumentos não podem servir de “adornos” ou “enfeites”. Os instrumentos precisam ser utilizados diariamente fundamentados no conhecimento maçônico do três pilares Básicos da Sabedoria, da Força e da Beleza.
A jornada iniciática é individual. Mas o neófito conta com um irmão que estará sempre guiando, orientando para vencer a ignorância e contribuir com o bem estar de todos.
Referências
BÍBLIA Sagrada. Tradução de Padre Antônio Pereira de Figueiredo. Rio de Janeiro: Delta, 1979.
BLAVATSKY, Helena P. Síntese da Doutrina Secreta. São Paulo: Pensamento. 1992. 469p.
SOUZA, J. H. . Eubiose. A Verdadeira Iniciação. Rio de Janeiro: Editorial Aquarius,
1978, 304p
TOLLE, Eckhart. O poder de agora. São Paulo: Rio de Janeiro, 2002.




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